23.9.07

Existem palavras que não se dizem porque a dimensão do seu sentir é demasiado grande para elas...



Existem palavras difíceis de dizer, existem outras que se calam nos silêncios dos gestos e existem ainda outras que permanecem numa memória esquecida…
Os sentidos da vida tomam conta de nós em cada uma dessas palavras que soltas nada significam, mas que no sentir de cada um de nós trazem alento e transferem significado a cada uma das nossas acções. Tudo é mutável e substituível… até as palavras, até os seus significados… mas será que conseguimos alterar a intensidade com que as dissemos ou pensámos? Será que conseguimos apagar ou reinventar o sentimento que lhe imprimimos quando delas fizemos uso? Possivelmente, se assim nos convier, poderão responder. Mas as impressões digitais do nosso sentir nelas existentes alguma vez serão transformáveis por nós mesmos? Em verdade vos digo… Nunca por nunca.

Esta é a minha forma de agradeçer a Francisco Gonçalves

http://franciscograciogoncalves.blogspot.com/


2 comentários:

Anónimo disse...

Há mesmo palavras, ditas ou lidas, que não nos deixam indiferentes, que ganham intensidade tal ao dizê-las ou lê-las que ficam em nós marcadas para sempre. É esse o caso destas que li recentemente:


Lendo, fica-se a saber quase tudo, Eu também leio, Algo portanto saberás, Agora já não estou tão certa, Terás então de ler doutra maneira, Como, Não serve a mesma para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem leve a vida inteira a ler sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura, ficam apegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é que importa, A não ser, A não ser, quê, A não ser que esses tais rios não tenham duas margens, mas muitas, que cada pessoa que lê seja, ela, a sua própria margem, e que seja sua, e apenas sua, a margem a que terá que chegar(...)
A Caverna, José Saramago

Paula disse...

Gosto de palavras que sejam pedras para chegarmos à outra margem, de palavras que sejam pontes ligando pessoas distantes, de palavras que sejam janelas que se abrem para deixar entrar brisas de longe, de palavras que sejam luz na noite para nos orientarem os sonhos...

 
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